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Doutoramento em Ciências Médicas

Doutoramento em Ciências Médicas

EVALUATION OF THE SURGICAL TREATMENT OF PROXIMAL HUMERUS FRACTURES IN A GERIATRIC POPULATION

No dia 11 de dezembro de 2023, tive a honra de realizar a minha prova de Doutoramento em Ciências Médicas, dedicada a um tema de elevada relevância clínica e crescente impacto demográfico:

“Avaliação do Tratamento Cirúrgico das Fraturas Proximais do Úmero numa População Geriátrica”.

 

Contexto e importância do tema

As fraturas proximais do úmero (FPU) são lesões frequentes em doentes idosos, resultantes de traumas de baixa energia e associadas a fragilidade óssea. Estas fraturas são verdadeiros marcadores sentinela de osteoporose e de declínio global de saúde. A sua gravidade é tal que, um ano após a ocorrência, a taxa de mortalidade ronda os 10%, independentemente do tipo de tratamento realizado.

A recuperação funcional do ombro depende de múltiplos fatores — desde a anatomia individual até ao padrão da fratura, comorbilidades e experiência do cirurgião. Embora entre 67% e 85% das FPU sejam tratadas de forma conservadora, o tratamento ideal para doentes idosos continua a ser motivo de debate.

 

Enquadramento do estudo

No meu trabalho de doutoramento, analisei comparativamente três abordagens cirúrgicas utilizadas em FPU com desvio em doentes com 70 ou mais anos:

  • Redução Aberta e Fixação Interna (RAFI)

  • Hemiartroplastia (HA)

  • Artroplastia Total Invertida do Ombro (ATIO)

Avaliaram-se, entre outros parâmetros:

  • sobrevivência dos implantes,

  • mortalidade e morbilidade,

  • complicações e taxas de revisão cirúrgica,

  • resultados funcionais e radiológicos,

  • impacto do desenho protésico e das técnicas de fixação das tuberosidades.

 

Principais conclusões

Os dados obtidos reforçam que:

  • A RAFI apresenta taxas elevadas de complicações (38–44%) e reoperações (11–12%), sobretudo nas primeiras semanas pós-operatórias.

  • A ATIO tem-se afirmado como a opção protésica preferencial para FPU complexas em idosos, por ser menos dependente da consolidação das tuberosidades.

  • A utilização de uma ATIO com haste umeral específica para fraturas, com janela para enxerto autólogo e com fixação robusta das tuberosidades, melhora substancialmente a probabilidade de consolidação anatómica e, consequentemente, os resultados funcionais.

  • Com ATIO como tratamento primário, 73,2% dos doentes regressaram às atividades de vida diária, mas a presença de demência foi um fator negativo preditor de recuperação funcional.

Estes resultados reforçam que a decisão terapêutica deve ser sempre personalizada, integrando perfil clínico, risco cirúrgico e objetivos funcionais do doente.

 

Implicações clínicas

Para uma população envelhecida, muitas vezes dependente e com necessidade de recuperação rápida, a ATIO em FPU agudas e desviadas revela-se uma opção segura, eficaz e funcional — desde que integrada numa avaliação pré-operatória rigorosa e numa abordagem multidisciplinar.

Este trabalho pretende contribuir para uma melhor orientação terapêutica destas fraturas, ajudando cirurgiões e equipas clínicas a tomarem decisões informadas e baseadas em evidência.

“A milestone was reached today…let’s get another one” 💪🏼


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